terça-feira, 24 de novembro de 2009

"Ato médico" cria polêmica entre profissionais da saúde

CLÁUDIA COLLUCCI
MÁRCIO PINHO
da Folha de S. Paulo

Médicos e outras categorias da área da saúde vêm travando uma queda-de-braço desde o último dia 21 de outubro, quando a Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei conhecido por "ato médico" e que agora tramita no Senado.

 

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O PL n° 7.703/06, conhecido como Ato Médico, foi aprovado pela Câmara dos Deputados no último dia 21 de outubro. O substitutivo aprovado, de autoria do deputado Edinho Bez (PMDB-SC), define e regulamenta as atividades privativas dos médicos, mas não esclarece diversos pontos de conflito.

O Projeto de Lei foi apresentado em 2001 no Senado, onde foi aprovado em 2005, sendo encaminhado para a Câmara. Como foi modificado na Câmara, agora retorna ao Senado e, caso seja aprovado, será enviado para análise do presidente da República, que pode vetá-lo ou sancioná-lo. O texto aprovado apresenta questões polêmicas. Mantém, por exemplo, que somente médicos podem exercer a direção e chefia de serviços médicos, mas não define o significado de "serviços médicos", o que pode afetar os diversos serviços de saúde realizados por equipes multiprofissionais.

O substitutivo dá aos médicos a exclusividade do diagnóstico e da prescrição dos tratamentos. Dessa forma, retira da população o direito ao livre acesso aos profissionais de saúde sem que tenham que passar obrigatoriamente por uma consulta médica. Para Madel Therezinha Luz, o Ato Médico implode a lógica da política do SUS, que trabalha com a ideia de equipe integrada, onde não existe uma verticalização de saberes na medicina.

Para a professora, atividades como acupuntura, arte terapia e medicina chinesa não são exercidas necessariamente por médicos, mas podem ter sua legitimidade. “Essa é uma questão séria. Não há mais uma hierarquia primordial nesse conceito. A lógica da saúde tende a ser secundária, se não eliminada. É uma hierarquia no sentido oposto de uma política integrada. O programa universalista do SUS tem um propósito que o ato médico implode”.

Madel também afirma que as práticas terapêuticas integrativas, muitas vezes, não possuem uma formação acadêmica consolidada. Uma reforma universitária na medicina seria necessária para agregar essas práticas. Caso contrário, viramos bibelôs de ouro em um casebre”. Segundo, o papel dos sindicatos de todos os terapeutas é extremamente importante para a vitória sobre a não-implementação do projeto. “Nossa conquista democrática não pode ser perdida”.

sábado, 21 de novembro de 2009

CFP e entidades ligadas à saúde se mobilizam para manifestar contrariedade à aprovação do Projeto de Lei do Ato Médico

O Conselho Federal de Psicologia (CFP), realizou no dia 06 de novembro, uma reunião telefônica com representações do setor da saúde, para discutir o Projeto de Lei 7703/2006, aprovado pela Câmara dos Deputados, e que regulamenta o exercício da Medicina.
Para as entidades médicas, existem algumas áreas e procedimentos que devem ser privativos de médicos, para garantir a segurança do paciente. Já os representantes de outras categorias que atuam no segmento da saúde, dentre eles, os psicólogos, argumentam que o texto, ao prever procedimentos exclusivos para os médicos, pode vir a cercear o trabalho de outros profissionais da área. Em discurso realizado no IX Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva questionou o Ato Médico. A notícia do discurso encontra-se disponível no site www.pol.org.br.
A reunião telefônica teve também o objetivo de decidir ações conjuntas a respeito do tema. Segundo o CFP, os Conselhos Federais que estiveram presentes na ocasião, se comprometeram a analisar os textos dos projetos, tanto a versão aprovada na Câmara, quanto a primeira versão, do Senado, a fim de averiguar os pontos que podem limitar a atuação da profissão. Após esse procedimento, as avaliações deverão ser encaminhadas ao CFP, para sistematização. Com isso, será possível analisar os pontos em comum que as profissões questionam no Projeto de Lei, e apresentá-las ao Senado, Presidência, Casa Civil, Ministério da Saúde e Conselho Nacional de Saúde.
O CFP informa também que, após a finalização, que deve ocorrer por volta do dia 18 de novembro, o documento será enviado aos Conselhos Regionais de Psicologia, para que dessa forma a categoria seja incentivada e se mobilize, realizando visitas aos senadores nos estados, porque o texto do projeto ainda mantém um vício de origem, ferindo os princípios do SUS, a autonomia das profissões e limitando o exercício dos profissionais de saúde.
Na reunião, foi proposta, ainda, a reativação da página do "Não ao Ato Médico". A ideia é centralizar as notícias e ações que vêm sendo desenvolvidas neste sentido. Através da página, os psicólogos e todos os outros profissionais da saúde poderão enviar seu manifesto contrário à aprovação do PL, na forma como foi aprovado na Câmara e no Senado, para todos os senadores e autoridades envolvidas. Por este motivo, os Conselhos Federais deverão manter em seus respectivos sites, links de acesso ao portal www.naoaoatomedico.org.br. Além disso, o CFP distribuiu um manifesto contra o Ato Médico, que pode ser acessado pelo endereço: http://www2.pol.org.br/downloads/carta_atomedico.pdf .
Foi marcada também, para o dia 20/11, às 11h30 (horário de Brasília), uma nova reunião telefônica, que contará com a presença dos mesmos representantes dos Conselhos Federais da área da saúde, para atualização das ações.
Em Campo Grande/MS e Cuiabá/MT serão realizadas reuniões, por intermédio da Comissão de Saúde, com os demais Conselhos da área da saúde e profissionais interessados na temática. As datas, horários serão divulgados brevemente através do site www.crp14.org.br .

Clique AQUI para enviar seu manifesto aos senadores e à Presidência da República, questionando o Ato Médico.

Abertura do I Forum Nacional dos TNS, que está sendo realizado em BH, na UFMG, ontem e hoje.